Ameaças

O ransomware evoluiu e as empresas ainda insistem nos mesmos erros

Como ataques cada vez mais sofisticados continuam explorando falhas básicas de segurança corporativa.

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Ransomware não é novidade. Ainda assim, ele segue sendo uma das ameaças mais lucrativas e destrutivas do cenário cibernético atual. Mesmo com maior conscientização, investimentos em tecnologia e uma enxurrada de alertas de mercado, empresas continuam sendo comprometidas da mesma forma.

Isso levanta uma pergunta incômoda: se a ameaça é conhecida, por que ela continua funcionando tão bem?

A resposta passa menos por falhas técnicas avançadas e mais por erros recorrentes de gestão, arquitetura e comportamento.

O ransomware deixou de ser apenas um ataque técnico. Hoje, ele explora processos frágeis, decisões apressadas e a falsa sensação de controle.

O ransomware mudou, mas o ambiente corporativo não

Nos últimos anos, o ransomware deixou de ser um ataque oportunista e passou a operar como um modelo de negócio estruturado. Grupos organizados utilizam estratégias como:

  • Acesso inicial via phishing altamente direcionado
  • Exploração de credenciais válidas roubadas
  • Uso de ferramentas legítimas para movimentação lateral
  • Dupla e tripla extorsão, combinando criptografia, vazamento e pressão reputacional

Enquanto isso, muitas empresas ainda dependem de modelos antigos de defesa, baseados quase exclusivamente em antivírus, backups mal testados e confiança excessiva em perímetro.

Segundo relatório da Sophos, mais de 90% das vítimas de ransomware tiveram o ataque iniciado por falhas conhecidas ou credenciais comprometidas, não por exploits inéditos.

Os erros mais comuns que mantêm o ransomware relevante

Alguns padrões se repetem com frequência nos incidentes analisados:

Backups existem, mas não funcionam
Backups desatualizados, sem testes de restauração ou acessíveis pela mesma rede comprometida anulam completamente a estratégia de recuperação.

Falta de visibilidade interna
Sem monitoramento adequado, o atacante permanece dias ou semanas dentro do ambiente antes de acionar o ataque final.

Excesso de privilégios
Contas com permissões além do necessário facilitam a escalada de privilégios e a propagação do ransomware.

Resposta a incidentes improvisada
Quando o ataque acontece, não há playbooks claros, responsáveis definidos ou tomada de decisão estruturada.

Relatórios da CISA e da ENISA reforçam que grande parte dos impactos poderia ser reduzida com medidas básicas de higiene cibernética.

Tecnologia sem processo não resolve

Um erro recorrente é tratar ransomware apenas como um problema técnico. Ferramentas são importantes, mas sem processos claros elas se tornam apenas mais um item no orçamento.

Empresas que conseguem reduzir impacto e tempo de recuperação normalmente possuem:

  • Planos formais de resposta a incidentes
  • Testes periódicos de backup e recuperação
  • Segmentação de rede bem definida
  • Gestão rigorosa de identidades e acessos
  • Treinamento contínuo de usuários

Não é sobre ter mais soluções, e sim sobre integrar pessoas, processos e tecnologia.

Considerações finais

O ransomware continua funcionando porque, em muitos ambientes, ele ainda encontra o cenário ideal para prosperar. Falta de governança, decisões reativas e confiança excessiva em soluções isoladas criam um terreno fértil para ataques previsíveis.

Enquanto o mercado evolui suas técnicas ofensivas, organizações precisam amadurecer sua postura defensiva. Não como resposta a incidentes, mas como estratégia contínua de negócio.

Ignorar isso não é mais uma questão técnica. É uma decisão de risco.

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Escrito por
Bento

Wagner Bento é profissional de Cibersegurança com quase duas décadas de experiência em tecnologia, atuando em Pré-Vendas com foco em segurança, cloud e arquitetura de soluções. Atualmente trabalha com Microsoft Security e é pós-graduando em Defesa Cibernética, com ênfase em IA, Forense e Ethical Hacking. Criador do BentoCyber.

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