O conceito de perímetro de rede foi, por muito tempo, o pilar da segurança corporativa. Proteger o que está dentro e desconfiar do que vem de fora parecia lógico e eficiente.
Hoje, esse modelo simplesmente não reflete mais a realidade. Aplicações em nuvem, trabalho remoto, dispositivos pessoais e acessos externos tornaram o perímetro difuso. Nesse cenário, a identidade passou a ser o principal ponto de controle e também o principal alvo.
Quando tudo é acessado por identidade, proteger apenas a rede já não é suficiente.
Por que a identidade virou o foco dos ataques
Atacar infraestrutura exige esforço. Atacar credenciais muitas vezes exige apenas engenharia social, phishing ou reutilização de senhas vazadas.
Segundo o relatório Data Breach Investigations Report, credenciais comprometidas estão entre os vetores mais comuns em incidentes de segurança.
Uma vez com acesso legítimo, o atacante se move sem levantar alertas tradicionais. Ele parece um usuário comum.
MFA não é opcional, mas não é suficiente sozinho
A adoção de autenticação multifator reduziu significativamente ataques baseados em senha. Ainda assim, MFA mal configurado, permissões excessivas e falta de monitoramento continuam abrindo brechas.
Relatórios da Microsoft indicam que MFA pode bloquear mais de 99% dos ataques baseados em identidade, desde que bem implementado e acompanhado de políticas de acesso condicional.

Identidade como base da arquitetura de segurança
Tratar identidade como perímetro implica mudanças importantes:
- políticas de menor privilégio
- acesso baseado em risco e contexto
- revisão contínua de permissões
- monitoramento de comportamento de usuários
- integração com resposta a incidentes
Esse modelo está diretamente alinhado com princípios de Zero Trust, que não assumem confiança implícita em nenhum acesso.
Considerações finais
A identidade não é apenas mais um componente da segurança. Ela se tornou o ponto central de controle, visibilidade e decisão.
Organizações que continuam tratando identidade como algo secundário estão defendendo um perímetro que já não existe. As que entendem essa mudança conseguem reduzir risco de forma consistente, mesmo em ambientes altamente distribuídos.
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