Defesa

Defesa em profundidade ainda funciona no cenário atual?

Entre o modelo clássico de segurança e a realidade de ambientes híbridos, cloud e orientados à identidade.

Compartilhar
Compartilhar

Durante muitos anos, a defesa em profundidade foi tratada como um modelo quase absoluto em segurança da informação. Camadas sucessivas de proteção garantiriam que, caso uma falhasse, outra impediria o avanço do ataque.

O problema é que o contexto mudou. Ambientes hoje são distribuídos, híbridos, baseados em identidade e acessados de qualquer lugar. Ainda assim, muitas organizações continuam aplicando defesa em profundidade como se estivessem protegendo apenas um datacenter fechado.

Isso levanta uma dúvida legítima. Esse modelo ainda funciona ou se tornou apenas um conceito repetido sem adaptação prática?

A defesa em profundidade não falhou. O que falhou foi a forma como ela continuou sendo aplicada.

O conceito original e onde ele ainda faz sentido

Defesa em profundidade nunca significou empilhar ferramentas. O conceito sempre esteve ligado a diversificar controles para reduzir dependência de um único mecanismo.

Firewalls, IDS, antivírus, controles de acesso e monitoramento faziam sentido quando o perímetro era claro. Em partes, isso ainda é válido. Camadas continuam importantes para evitar falhas únicas e reduzir impacto inicial.

O erro começa quando as camadas não conversam entre si ou quando são aplicadas sem considerar o novo perímetro, que hoje é muito mais fluido.

Onde o modelo falha nos ambientes modernos

Em ambientes cloud e SaaS, o atacante muitas vezes já entra com credenciais válidas. Nesse cenário, várias camadas tradicionais simplesmente não são acionadas.

Relatórios da Microsoft e da Verizon mostram que a maioria das violações envolve identidade comprometida, não exploração direta de infraestrutura.

Se a identidade não é tratada como camada central, a defesa em profundidade se torna superficial.

A adaptação necessária

Defesa em profundidade ainda funciona quando é reinterpretada. Hoje, as camadas precisam incluir:

  • identidade e autenticação forte
  • controle de acesso baseado em contexto
  • monitoramento contínuo de comportamento
  • resposta automatizada a incidentes
  • visibilidade unificada

Não se trata de abandonar o modelo, mas de reposicioná-lo. Identidade, dados e workloads precisam estar no centro da estratégia.

Considerações finais

Defesa em profundidade não morreu. Ela apenas deixou de funcionar para quem insiste em aplicá-la com a lógica de quinze anos atrás.

Segurança eficaz exige adaptação constante. Conceitos continuam válidos, desde que evoluam junto com o ambiente que precisam proteger.

Compartilhar
Escrito por
Bento

Wagner Bento é profissional de Cibersegurança com quase duas décadas de experiência em tecnologia, atuando em Pré-Vendas com foco em segurança, cloud e arquitetura de soluções. Atualmente trabalha com Microsoft Security e é pós-graduando em Defesa Cibernética, com ênfase em IA, Forense e Ethical Hacking. Criador do BentoCyber.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Minhas Redes Sociais

Acompanhe meus conteúdos e atualizações sobre Cibersegurança, Tecnologia e IA.

Casos Clássicos

Os ataques mais relevantes da história, analisados com profundidade técnica, contexto real e fontes confiáveis.

Artigos relacionados

Identidade se tornou o novo perímetro da cibersegurança

Por que usuários, credenciais e acessos passaram a ser o principal alvo...